A Feira Agroecológica da Unicentro está completando 11 anos de funcionamento em Guarapuava e seis em Irati. Esse é um projeto de extensão da universidade que aproxima o campo e a cidade em prol de uma alimentação mais saudável. A Feira consolidou uma cena tradicional para a comunidade dos municípios onde a Unicentro tem campi universitários – as barracas coloridas de alimentos frescos e, por trás deles, os feirantes, que comercializam produtos naturais, com o foco, principalmente, na não utilização de agrotóxicos ou transgênicos.   

O coordenador geral da Feira Agroecológica da Unicentro, professor Jorge Fávaro, contextualiza de que forma o projeto é desenvolvido. “Esse projeto envolve alunos, professores, feirantes de diversas categorias, sejam eles os que produzem alimentos como pastel, pães, como também os produtores de verduras e os artesanatos em si, de vários tipos – sabonetes, panos, e outras formas de artesanatos. Nós temos, hoje, uma participação que é variável, mas é em torno de 30 feirantes entre as feiras que nós fazemos”.

São três feiras em Guarapuava – uma no campus Santa Cruz da Unicentro, outra no Cedeteg, e uma no campus da UTFPR. Em Irati, a Feira é realizada no campus Irati da Unicentro e no campus do IFPR. Por conta da pandemia de coronavírus, o sistema de feira está temporariamente suspenso. Mesmo assim, nas duas cidades, o projeto da Feira Agroecológica segue de forma alternativa – através do recebimento de pedidos online feito pelos consumidores. A entrega das sacolas de alimentos encomendadas é feita respeitando todas as orientações sanitárias repassadas pelo Comitê de Prevenção ao Coronavírus da Unicentro.

Segundo o professor César Renato Ferreira da Costa, que faz parte da equipe executora da Feira, a ideia é continuar com o sistema de encomendas até que as atividades presenciais sejam retomadas. “Nós vamos continuar as campanhas ao longo do tempo em que os serviços estiverem paralisados presencialmente, tendo como resultado a manutenção de trabalho e renda, a possibilidade de entregarmos alimentos saudáveis a um preço justo e a manutenção de uma rede solidária nesses difíceis momentos do coronavírus”. 

Essa abertura de espaço que a Feira Agroecológica da Unicentro proporciona aos agricultores agroecologistas tem um impacto positivo nas vidas das famílias camponesas. “É positivo o balanço dos seis anos de Feira Agroecológica, porque fortalece a produção de alimentos das famílias camponesas de Irati e com isso contribui para que elas permaneçam no campo com dignidade. E como? Que impactos o projeto traz na vida dessas famílias? A garantia da comercialização da sua produção e uma renda semanal; se tem renda, isso permite que elas permaneçam no campo, que é a escolha delas, e permaneçam com a mesa farta, as famílias comem o que produzem”, explica a coordenadora do projeto em Irati, professora Fernanda Ikuta.

Outra vantagem para os agricultores vinculados ao projeto são as condições saudáveis de trabalho, já que não há risco de envenenamento dos trabalhadores durante o cultivo, que é feito sem agrotóxicos. E como a comercialização na Feira da Unicentro é feita de forma direta, sem atravessadores, o projeto possibilita o encontro desses agricultores com os seus consumidores. “Na feira, a gente tem a oportunidade de que os consumidores conversem diretamente com os agricultores. Então, eles sabem da origem do alimento e podem dialogar sobre tudo, esclarecer dúvidas e etc”, diz Fernanda.

A feirante Teresinha Lima dos Santos participa da Feira Agroecológica há seis anos. Além de cultivar cereais, tubérculos e frutas, ela também faz pães, bolachas, macarrão, geleias e doces. A agricultora comenta que, para ela, as vantagens de participar do projeto vão além da manutenção de renda. “Eu tenho certeza que não só o financeiro me ajuda bastante, mas a alegria maior é saber que mais famílias, mais pessoas estão se alimentando desses alimentos saudáveis que a gente produz com tanto carinho, que preparamos as sacolas e levamos a outros consumidores”.

Além da comercialização de alimentos agroecológicos, a Feira também promove cursos, oficinas e debates sobre temas que envolvem os benefícios da alimentação saudável e a importância da produção agroecológica para a sustentabilidade. E é com esse viés de formação que a Feira Agroecológica quer comemorar seu aniversário. De acordo com o coordenador geral, professor Jorge Fávaro, algumas atividades estão sendo preparadas para a realização assim que as atividades presenciais retornarem, e outras, acontecerão remotamente. “Nós vamos organizar, junto com Irati, uma programação anual de eventos para que sejam discutidos – debates, formações, cursos . Então, a gente vai promover uma série de eventos promovidos pela Feira, aberto para os feirantes e também para a comunidade em geral”, finaliza Jorge.